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segunda-feira, 16 de maio de 2011

A Feira de Artes estava fofa

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Muitas barracas bacanas e muitos vizinhos caminhando por lá pela primeira vez. Dava pra perceber pelo jeitinho das pessoas empurrando carrinhos de bebês. Pessoas descobrindo a Pompéia a pé. É muito legal ver isso. A qualidade dos trabalhos dos artesãos era ótima e dava vontade de pedir cartão pra um monte de gente. Só não entendi bem aquela galera que ficava gritando andando com os bonecos de Olinda no meio da multidão. Como disse no post anterior, "tem sempre um mala"!. No caso, vários. A tarde choveu e estragou o show do Carlini. Parabéns ao pessoal do Centro Cultural. E um puxão de orelha aos donos do estacionamento da Cotoxó: R$ 20,00 preço único, ninguém merece, né? É extorsão.

sábado, 14 de maio de 2011

Amanhã tem Feira de Artes

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Mas nem sempre eu gosto de ir.
Teve um tempo em que havia um monte de guardadores de carros, cobrando quase dez reais pra gente estacionar na esquina de casa. Ninguém fazia nada. Hoje em dia até que não é tão cheia. Cheia mesmo fico eu, quando vejo certos artistas fazendo performances suspeitas em cima dos palcos. Gente cantando enquanto bebe e fala palavrões. Tudo bem, nada contra beber e falar palavrões. Tenho contra beber, falar palavrões e não cantar nada que preste, tudo ao mesmo tempo. Pode parecer chatice, mas teve um que imitava o Zé do Caixão que mais parecia um bicho bravo enjaulado. A idéia da Feira de Artes é super legal, tem um monte de barraquinhas incríveis e comidinhas deliciosas. É também muito bom caminhar e ver os vizinhos descerem dos prédios, e o mais legal é que sempre faz sol. Só fico meio aborrecida com alguns conjuntos que insistem em achar que cantam bem. Além de não terem talento, incomodam as pessoas que estão passeando. Tem gente que não se toca. Mas isso tem em todo lado. Caberia à organização dar uma filtrada nos inscritos. Não sei se é possível. É mais ou menos como cantor de igreja. Tem alguns que acabam com a missa, mas o padre não pode impedi-los de cantar, em nome de Jesus. A vida é complicada.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Cadela educada

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Ah, se todos os seres humanos fossem como a Vanila... Ela late bem pouco, não pisa no quintal quando está molhado, é carinhosa, vive cheirosa e não faz as necessidades fora do lugar.
A Vanila não é minha, é dos vizinhos lá da pracinha, mas quando eu vi a placa "Vende-se" na casa onde ela mora, fiquei triste como quem está para perder um amigo.
Enfim, como nesse site vivo reclamando da sujeira dos cães, dedico esse post para dizer que eu amo a Vanila. Nunca pensei que fosse escrever isso sobre um cachorro, mas depois que eu fiz amizade com ela, os cachorros para mim nunca mais foram os mesmos. :-)

30 anos de obras

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Essa sou eu, sentada no colo da minha irmã, há 3 décadas. Desse quintal, a vista alcançava longe... Quase não havia prédios, mas também quase não havia árvores. Agora, a vista está mais ou menos assim:


segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Quem é da Pompéia é mais feliz... :-)

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Já é hora de ir decorando o samba-enredo da Águia de Ouro, que se preocupa em exaltar o nome de nosso bairro todos os anos, religiosamente:



Com Todo o Gás! a Águia de Ouro É Fogo!
(com letra corrigida)*

Compositores: Marcio Pessi, Marco Antonio Pessi, Serginho do Porto, Serginho Castro, André Fulggaz, Sergio Alan, Didi Pinheiro, Anisio, Wal e Íris


Águia de ouro é paixão!
Amor de enlouquecer
Com todo gás a Pompéia é fogo
Que aquece o meu viver

África templo do fogo sagrado
Brilha o astro rei, presente divino
O homem primitivo descobriu
O fogo, a sua proteção
Iluminou a vida, rumo à evolução
Chamas da história, civilizações
O tempo marcou
Das cinzas renasceu, a fênix e então brilhou
Na Grécia Prometeu roubou o fogo de Zeus
No Olimpo a pira acendeu, entregando à humanidade
Nero um louco Imperador, sem alma e sem amor
Roma queimou

Na fé em rituais,
Divino na religião
Purificação...
Na fogueira da Inquisição

(Reluziu)

No Brasil a Nova Era, iluminada por lampiões
Surge o gás com uma chama natural
Que alimenta o corpo, no banho dá prazer
Surgem no ventre das matas, seres sobrenaturais
Lendas do nosso folclore
Guardiões do fogo e muito mais
Ponteia a viola caipira
Com energia e calor
Pula fogueira, que a chama do samba chegou!

Águia de ouro é paixão !
Amor de enlouquecer
Com todo gás a Pompéia é fogo
Que aquece o meu viver

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Idolatrar poetas que já se foram?

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Meus caros amigos, escrevo essas linhas não por amizade nem por compromisso, mas devo-lhes dizer que temos em nosso bairro a presença do maior poeta vivo da cidade de São Paulo, que passa tão rápido que não lhe vê.

Como esse poema abaixo, que descreve a alma da cidade em sua mais profunda entranha, ele possui centenas de outros. Paulo D’Auria é escritor premiado nos 450 anos da cidade e um orgulho para a Pompéia. Não deixem de conhecer o trabalho dele.

Paulo é tão bom que faz o tempo se multiplicar. Oferecer tempo à leitura de seus textos não é perdê-lo e sim aproveitá-lo ao máximo e sair da leitura alguém diferente, e muito melhor.

Meu nome é bonde, perdi o bonde
Paulo D’Auria

passou o bonde
o trem
bala
passou o a
mór
por que não escrevo mais os velhos poemas de amor ou por outra
por que não me apaixono mais
perdia a capa-cidade de amar?
qual o sentido de se doar
em um mundo em que tudo se latro-sina?

e pra não dizer que não falei das flores
do bouquet de 1.000 rosas roubadas
poderia relembrar a primeira namorada mas
perdi o bonde
o trem
bala
perdido (n)a estação
qual poeta de folhetim

e assim sem nem começar
o poema de amor chega
o fim

A avenida Pompéia, vista do SESC

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Encontrei essa imagem na internet e achei tão bonita que fiquei com vontade de compartilhar com vocês:

domingo, 24 de outubro de 2010

No Tendal da Lapa homenagem a Carlos Drummond de Andrade

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Há pedras em seu caminho?
Nesse sábado fizemos uma homenagem ao poeta e reescrevemos seu mais famoso poema em diversas versões:

sábado, 16 de outubro de 2010

Poesia urbana

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Os Poetas do Tietê estão no Tendal da Lapa falando e fazendo poesia. Eles têm em comum o amor pela literatura e pela cidade de São Paulo. Todos os sábados, a partir das 13:30, abordam temas diferentes. As atividades também são diversificadas: Leem, produzem vídeos pela cidade, atuam no palco, tecem textos incríveis, falam sobre a vida e suas mil faces. Têm sensibilidade ímpar que só é possível pela singeleza e disponibilidade de seus componentes.

Estar com eles é um jeito diferente de estudar português, fazer amigos, aprender mais sobre a cidade (e se encantar por ela). Exercitar a criatividade, aguçar a cidadania e atiçar os questionamentos. Fazer poesia com eles fala direto ao coração.

Como hoje bem disse o grande poeta Paulo D'Auria (para mim o melhor autor da atualidade, pois além de brilhante, tece textos de todos os gêneros): "Já que São Paulo é tantas, por que não cidade do interior?". E é assim que me sinto nessa metrópole quando estou com eles: Conversando com o interior do interior de meu interior.

Hoje, ao final de nosso encontro onde o tema foi Mário de Andrade, a sugestão foi a produção de uma poesia. Essa foi a minha:

   São Paulo
                   de tantos nomes
                      Alguém chama
outro responde
                        O que falou
                                                                                                nem te olha
Bandeirante é avenida
   estrada ou herói?
      (que interessa)
           Se o que passa
                            só pensa em chegar
                                                                                                       lá longe
                                E quando chega
                                        já está na hora
de voltar

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

O dia da criança no Sesc Pompeia foi D+ =)

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Quem estava lá pode brincar junto a esse grupo super talentoso. Quem não os conhece procure no site do Sesc um dia em que o grupo GiraSonhos estiver por lá. É super divertido!

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Dia pesado

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Hoje aconteceram algumas coisas ruins aqui na zona oeste: Uma perseguição cinematográfica envolvendo 11 veículos e um confronto policial com morte. Mas não vou detalhar nem dar boi para coisas ruins aqui nessa página. Vamos procurar fazer a nossa parte sendo gentis com os vizinhos e no trânsito. Senão quanto mais a gente pensar em coisas ruins, mais vai atraindo.

Esse final de semana é prolongado e minha dica é ir ao teatro. Tem peças grátis no Cacilda Becker e no Bourbon (Livraria Cultura domingo, às 18:00). Também tem contação de histórias no SESC Pompéia sábado e domingo a tarde, direto. Esse tipo de evento não é só para crianças, os adultos costumam se divertir bastante!

Minha dica especial vai para o teatro da Livraria Cultura, que todos os domingos apresenta uma peça infantil às 18:00 hs. O grupo que está lá é super carismático e talentoso, e cada domingo apresenta uma peça diferente. Na semana passada eu adorei, foi muito divertido. Vale a pena prestigiar. É grátis, mas não deveria ser. Porque é muito, muito bom. A ideia do gratuito pode embutir descompromisso e falta de qualidade. Mas não é o caso desse grupo teatral. Os atores são muito envolventes. As crianças adoram! E eu também! :-)

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Outro conhecido morador do Sumarezinho

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Lourenço Diaféria
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.


Lourenço Carlos Diaféria (São Paulo, 28 de agosto de 1933 — São Paulo, 16 de setembro de 2008) foi um contista, cronista e jornalista brasileiro.

Biografia e carreira

Sua carreira jornalística começou em 1956 na Folha da Manhã, atual Folha de S.Paulo. Como cronista o início foi mais tardio, em 1964, quando escreveu seu primeiro texto assinado.

Permaneceu no periódico paulista até 1977, quando foi preso pelo regime militar devido ao conteúdo da crônica Herói. Morto. Nós., considerada ofensiva às Forças Armadas.
A crônica comentava o heroísmo do sargento Sílvio Delmar Hollenbach, que pulou em um poço de ariranhas no zoológico de Brasília para salvar um menino. A criança se salvou, mas o militar morreu, vencido pela voracidade dos animais.

A crônica também citava o duque de Caxias, o patrono do Exército, lembrando o estado de abandono de sua estátua no centro da capital de São Paulo, próximo à Estação da Luz.

Diaféria só foi considerado inocente em 1979. Durante algumas semanas, a Folha deixou em branco o espaço destinado ao colunista, em repúdio à sua prisão.

Depois da Folha, levou suas crônicas para o Jornal da Tarde, o Diário Popular e o Diário do Grande ABC, além de quatro emissoras de rádio e a Rede Globo.

Católico, colaborou para o jornalzinho da Igreja Nsa Sra. do Rosário de Pompeia com crônicas mensais. Escreveu A Caminhada da Luz, livro sobre dom Paulo Evaristo Arns, a quem admirava. Outra "religião" era o futebol: muitas de suas crônicas falavam desse esporte — e de seu time, o Corinthians.

Desde o início de 2008 Diaféria enfrentava problemas no coração, até que um infarto o levou, aos 75 anos, deixando viúva (Geíza), cinco filhos e três netos.
Obras

Lista incompleta

Um gato na terra do tamborim (1976)

Circo dos Cavalões (1978)

A morte sem colete (1983)

O Empinador de Estrela (1984)

A longa busca da comodidade (1988)

O invisível cavalo voador – Falas contemporâneas (1990)

Papéis íntimos de um ex-boy assumido (1994)

O imitador de gato (2000)

Brás – Sotaques e desmemórias (2002)

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Para desestressar:

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Nem só de saquinhos de cocô vive o Morro das Cabritas! Quando decidi parar de olhar para os tênis, marmitas e nhacas atiradas pela grama onde eu costumava escorregar de papelão, percebi que a árvore tem "carinha". Tem olhos, boca e nariz, igual nos livros de criança. Olhem só que bacana:


sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Mais um vizinho que encanta o Brasil

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Jether Garotti Jr. é um grande pianista, maestro e instrumentista, responsável por centenas de arranjos e trilhas sonoras de comerciais, teatro e cinema e cresceu nas ruas da Pompéia. Ele é um orgulho para nós! Mais um músico bem-sucedido, confirmando a vocação de nosso bairro como berço de grandes talentos nacionais.

Aqui estão algumas de suas criações:





quarta-feira, 15 de setembro de 2010

As palavras e o mundo!

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Uma das coisas mais legais que tenho visto no SESC Pompéia são os contadores de histórias, que estão sempre por lá.
Até o dia 17 a exposição "As Palavras e o Mundo" ficará lá, e vale a pena parar para ouvir e admirar o talento dos contadores que o SESC contratou.
São vários estilos: Alguns contam e tocam música, outros utilizam bonecos. Tem contador que é mais do que artista! Sem falar que as historinhas são lindas e trazem sempre um toque pra gente, que é adulto e que teima em achar que pra ser maduro precisa perder a doçura. Ah... O SESC mudou o letreiro da entrada... Ficou mais bonito ainda.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

O valor de um lugar

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Quem são aqueles homens olhando para nossas casas ali do outro lado da rua? Apontam, cochicham, planejam. Não notam nossas presenças desconfiadas na janela, nem os olhares de esguelha pelas varandas. Continuam falando em projetos grandiosos que arquitetaram sobre uma folha de papel. Com caneta e régua construíram edifícios sobre casas desenhadas a lápis.

Num dia desses, numa carta (dessas de propaganda), finalmente se identificaram. São de renomada incorporadora, parceira de grande construtora (dessas que é até difícil pronunciar o nome – pomposo) e vêm, respeitosamente nos participar da construção de luxuoso condomínio sobre nossos lares. Claro, alguns detalhes ainda precisam ser ajustados, mas basta apenas uma assinatura abaixo. Nela, se autoriza a comercialização e a locação do imóvel. Assinado, Sr. Fulano de Tal.

Após a notícia da desapropriação de imóvel próprio por empresa particular, começo a fazer contas. Para onde iremos?
Sim, para onde, pois infelizmente, por ironia do destino, não poderemos mais morar no mesmo lugar. Pelas nossas contas, para morar aqui, em espaço três vezes menor, teremos que desembolsar cinco vezes mais. Coisas do progresso.

A empresa do Sr. Fulano de Tal é especialista em avaliação de imóveis. A fórmula é simples: vendem apartamentos financiados a preço de ouro e compram nossas casas a preço de lata. Sr. Fulano de Tal e seus amigos foram treinados a fazer o seguinte: explicar aos compradores que aqui será o paraíso, enquanto convencem os atuais moradores de que aqui virará um inferno.

Sr. Fulano de Tal:
(Rua não sei qual, sem número)
Venho respeitosamente, por meio desta, oferecer dados à sua avaliação. Uma vez sabendo que sobre nosso terreno figurará um arranha-céu, gostaria de colaborar com o plano de marketing dessa renomada empresa e seus parceiros, através de preciosas informações sobre o valor deste local.

Sei que é uma pessoa muito ocupada, por isso ofereço uma visita virtual à minha casa. Entremos pela garagem.

Nesse local brinquei sobre montes de areia, passei horas fingindo que estava na praia enquanto meus pais construíam nossa casa. Foi aqui que conheci meus amigos de infância. Aqui também funcionou uma loja de automóveis, onde meus pais fizeram fama e amigos, vendendo os melhores fuscas de toda região. A garantia era o fio de bigode. E o pagamento, nota promissória. Minha irmã enquanto trabalhava aqui cuidava de mim, que brincava o tempo todo na rua. Aqui a família toda suou e sorriu, trabalhou junta e foi feliz.

Nessa grande escada da entrada eu jogava bola sozinha. Eu e a escada éramos muito amigas. A gente só parava de jogar quando eu ficava cansada. Quando minha mãe a encerava, eu descia de tapete. E também passava tardes inteiras sentada aqui conversando com a turma da rua.

Essa sala era um quintal. Aqui ficava meu balanço e minha piscina. E aqui havia um banquinho de alvenaria onde minha mãe conversava com meu nono. Eu e muitos dos moradores da região somos descendentes de italianos.

(Venha até a varanda)

Daqui se vê a casa do seu Michelle. Ele também veio do sul da Itália. Todo mundo era conhecido, por isso brincávamos na rua sem preocupações, pois não éramos vizinhos, éramos uma família. O lanche da tarde, acontecia cada dia na casa de uma criança.

Atrás daquele prédio está o morro. Lá a gente escorregava de papelão, empinava pipa, soltava balão. A noite daqui era animada. De vez em quando passava o Bloco do Faísca, que hoje é o Águia de Ouro. Nessa rua, em várias procissões eu saí de anjinho, e bem nesse muro ficava uma vela e uma santinha. Daqui minha mãe me via desfilando na fanfarra. Jogava vôlei no meio da rua e quase fui atropelada. Daqui também ficava esperando meu pai passar dentro do ônibus, quando ia fazer compras na cidade. É, esse ônibus está aqui até hoje. Demora... mas quando aparece... que alegria! Mas o melhor dessa varanda era no carnaval. Confetes e muita água dentro da xeringa. Hoje, nessa varanda brincam meus sobrinhos, se penduram na mesma grade, igualzinho eu fazia.

Aqui na Pompéia conhecemos o padre, o traficante, a cartomante, a grega da esquina, a dona da pizzaria. O ar daqui é diferente, o senhor precisa ver. Sr. Fulano de Tal, o carteiro se chama Joílson e, faça chuva, faça sol, está sempre sorrindo.

Aqui tem uma Feira de Artes fantástica, vem gente de toda parte. Vem para a Feira de Artesanato também. A cada dia da semana tem uma feira em local diferente, com um pastel mais gostoso do que o outro, o senhor precisa experimentar.

Em julho, a rua inteira fica coberta por ipês. É bonito de chorar. A gente vai a pé até o Sesc, ao Metrô Vila Madalena, ao Palmeiras. Falando em Palmeiras, o senhor precisa ver que lindo que é em dia de jogo. Os avôs que moram aqui há quarenta anos ou mais, ficam lá na lanchonete relembrando o Palestra dos velhos tempos. A Pompéia é pura história escrita nos idosos que estão dentro dos sobrados. E o São Camilo mesmo, subiu com a ajuda de muitas quermesses onde vários casais se formaram. Os filhos dessa gente se conhecem até hoje, pois estudavam em ótimas escolas estaduais que existiam por aqui. Não é de se estranhar que hoje consigam comprar os apartamentos de luxo que o senhor vende aqui no bairro.

Senhor Fulano, aqui na Pompéia há pássaros coloridos, muitos pés de amora e pitanga, mangueiras e goiabeiras dentro das casas. Pelas ruas é possível colher limão e flores. Aqui em frente à minha casa, há uma árvore que foi plantada pela gente e que cresceu junto comigo. Aqui pertinho há uma pracinha que conta muitas histórias, onde moram sabiás e bem-te-vis. Nessa mesma praça há o cachorro mais querido do mundo, meigo e carinhoso, e eu brinco com ele sempre que volto da sorveteria Cristal, lá na Vila Romana, que também existe há mais de quarenta anos.

Mas nem tudo aqui são flores, é verdade. Há dias em que demoro tanto pra chegar em casa... sabe Sr. Fulano, por aqui atualmente circula muita gente e os carros acabam obstruindo algumas ruas. Nesses dias, eu não vou mentir, fico um pouco aborrecida. Mas é só chegar perto de casa, bater um papo com o dono da padaria, cumprimentar algum amigo que passa pela rua, olhar seu Michelle sentado escondidinho e espiando atrás da cortina, avistar meus pais me esperando nessa varanda... Sr. Fulano... é uma felicidade... mas uma felicidade, que não tem preço!

Sem tempo para mais, embora com muito mais,

Emocionadamente,

Uma Moradora.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Cuidado! Aquele som vem do coração!

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Sim, é impossível conhecer São Paulo. Frequente um restaurante por dia, viva todos os dias da vida e ainda assim não terá tempo de conhecer todos. Não caminharemos por todas as ruas, não entraremos em todos os museus, nem escolas. Porque assim que o dia amanhece, algo novo aparece. São Paulo acorda de um jeito e adormece de outro. Durante a noite não descansa e assim vamos nos apresentando diariamente a essa cidade que chamamos de nossa.

São Paulo não se deixa pertencer. Uma, pela sua natureza. Outra, por sua mutação. Uma praça nova aqui, um prédio novo ali... Um comércio que abriu e fechou tão rápido, que nem deu pra saber bem ao certo o que era! A casa do vizinho, que funciona de depósito sabe-se lá do que. O papo do coreano enquanto fazemos compras no Bom Retiro... O que será que ele diz? Mais fácil se falasse árabe! Com tanta gente tomando conta do que já era estrangeiro, onde antes se falava grego, agora virou chinês.

Assim como acontece em São Paulo, também dentro de nosso bairro. E foi fácil constatar isso nessa grande polêmica envolvendo o Palmeiras. Foram mexer justo com nosso intocáve! Mas como? Não conhecem o pedaço? Muitas perguntas nos fizemos, tentando entender como moradores podem ver nosso principal marco histórico como apenas mais uma empresa. E para argumentarmos sobre o que aos nossos olhos era tão óbvio, buscamos nas raízes do bairro os nossos porquês. E os textos foram montando um quadro novo até aos próprios olhos, já que não costumamos transcrever as razões que nos levam a amar. Mesmo assim, fundamentados na lógica e no urbanismo, conseguimos dizer, em longas centenas de linhas, aquilo que poderia ser resumido apenas em poucas palavras: Raízes de nossas vidas.

A Pompeia viu ameaçado seu direito de modernizar instalações que abrigam justamente àquilo que sempre mais nos foi caro: O futebol, que fez com que a Pompeia ficasse conhecida no mundo todo através da esquadra alviverde (campeã do século XX) e o rock, que faz barulho sim, mas do qual somos o berço nacional. Isso nos deu o prazer de sermos conhecidos no Brasil todo pela vocação em abrigar e produzir altos talentos de renome nacional: Tutti Frutti, Mutantes, Luiz Carlini, Rita Lee.

Para quem conhece bem o bairro e se orgulha das tradições, o Palmeiras não é apenas uma edificação. Um grito de gol vindo do Palestra não é apenas um ruído. O vibrar da torcida é o vibrar da vida do bairro. Os acordes do rock hoje amplificam em decibéis nossos acordes antigos, que trouxeram lágrimas aos olhos de imigrantes e vizinhos quando a música Ovelha Negra começou a tocar diariamente no rádio e na TV, em rede nacional. E de nossas ruas também vieram as mãos do grande talento Jether Garotti, arranjador da música "Per Amore", que emocionou milhões de brasileiros na abertura da novela das oito.

Sim, o Brasil não conhece o Brasil. São Paulo se reapresenta aos seus habitantes em suas múltiplas faces. E a Pompéia, que só consigo não achar estranha quando escrita com acento, ganha nova vida e vestes com a merecida construção de um estádio moderno, digno da grandeza desse lugar.

No vídeo, mais um pedacinho da história do bairro, contada pelo ídolo Luiz Carlini, talentoso e generoso, que, por amor, nunca deixou esse lugar:

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Vale a pena assistir!

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OTHELITO

Esse espetáculo infantil é um show a parte. Mistura enorme talento a bom humor e criatividade, proporcionando aos adultos diversão igual ou maior do que às próprias crianças - público alvo da peça.

Além de entreter com grandes performances corporais e linguísticas, a Cia. Vagalum Tum Tum faz rir e ensina ao público técnicas de sonoplastia. São grandes atores, que conseguem misturar simplicidade (permanecendo no palco o tempo todo, enquanto não estão em cena), com genialidade. Com produção cenográfica mínima, conseguem transportar o público no tempo e no espaço.

Essa é, sem dúvida, a melhor peça infantil que já assisti! E está aqui, pertinho da gente, no Teatro Cacilda Becker. Esse teatro foi totalmente reformado e para quem ainda não o visitou, é uma oportunidade de ouro. Até o dia 19/09.

OTHELITO
Cia. Vagalum Tum Tum. Texto e dir.: Ângelo Brandini. Com Christiane Galvan, Anderson Spada, Val Pires e Gabriella Argento. 55 min. +6 anos.

Adaptação de Otelo, o mouro de Veneza, de William Shakespeare. Um general medroso e ciumento se apaixona pela filha de um rei, mas, por ser mouro, não pode se casar com ela. Nessa versão, é feita uma sátira sobre a tragédia original, e o conto triste se transforma em um espetáculo de comédia. Ganhador, em 2007, de prêmios como o APCA e FEMSA de melhor texto adaptado.

Teatro Cacilda Becker. Zona Oeste. De 28/8 a 19/9. Sáb. e dom., 16h. R$ 10
Endereço: Rua Tito, 295 - Lapa
CEP 03115-020
Telefone: (11) 3864-4513